Ordens e
organizações
Atenção: uma parte deste
texto é historicamente acurada, parte é ficção. Para não confundir os
conhecimentos de história do leitor, destacamos a parte fictícia em vermelho.
Na história real, as ordens de cavalaria foram
instituições cristãs da Idade Média, criadas para combater os
exércitos muçulmanos na Palestina e na Península Ibérica e, mais tarde, também
os pagãos da Europa Oriental. Eram constituídas por um núcleo de nobres não
herdeiros (geralmente apenas o primogênito herdava as terras) que faziam votos
de castidade, obediência e pobreza, renunciando assim aos direitos sobre a
herança familiar para viver como uma comunidade monástica combativa. Na
prática, as ordens eram ricas, lhes proporcionavam um razoável conforto e os
votos nem sempre eram cumpridos à risca. Muitas famílias e senhores poderosos
doavam terras, construções e outras propriedades a essas ordens, chamadas
comendas. O responsável pela administração de uma comenda era chamado de
comendador. O chefe da ordem era chamado de grão-mestre. Originalmente, essas
ordens eram tratadas como Estados soberanos. Independentes dos reis cristãos, prestavam obediência apenas ao Papa.
Além desse núcleo de cavaleiros propriamente ditos,
havia um corpo de capelães, clérigos não-nobres que não participavam do
combate, mas davam assistência espiritual aos cavaleiros e às instituições de
caridade que mantinham. O relativamente pequeno núcleo de cavaleiros comandava
também uma força combatente não-nobre e bem mais numerosa, mas cujos
integrantes não eram considerados membros plenos das ordens. Incluíam
combatentes a pé, chamados sargentos e uma cavalaria ligeira sem armadura (os turcópolos, que tinham status
algo superior), geralmente recrutados entre a população nativa cristã da
Palestina.
No final da Idade Média, as ordens estavam perdendo
sua razão de ser. Na Palestina, o islã conseguiu uma vitória total em 1291,
expulsando os cruzados. Na Península Ibérica, por outro lado, os muçulmanos
foram derrotados e totalmente expulsos em 1492. Na Europa Oriental, o paganismo
desapareceu também ao longo do século XV. Com a decadência do feudalismo, as
ordens foram se tornando no mínimo um incômodo e muito freqüentemente uma
ameaça ao poder em ascensão dos reis. A primeira Ordem a cair, já em 1312, foi
a mais poderosa e famosa, a dos Templários: foi dissolvida e seus chefes
queimados na fogueira, sob a acusação (provavelmente falsa) de heresia.
A segunda ordem mais importante, a dos
Hospitalários, foi a que teve mais sorte: foi encarregada da defesa da ilha de
Malta e manteve sua independência e seu caráter militar até as guerras
napoleônicas, quando os britânicos acabaram tomando a ilha e a transformaram em
uma de suas colônias. A ordem, porém, continuou existindo como uma organização
política, religiosa e caritativa, católica e conservadora, mais conhecida como
Ordem de Malta. Ainda hoje mantém embaixadas em vários países do mundo que
reconhecem sua soberania.
A terceira ordem em importância, a dos Teutônicos,
acabou por se tornar uma força militar e econômica devotada a oprimir os
camponeses do Báltico e tomar terras aos países vizinhos (principalmente a
Polônia). Politicamente isolada no início da era moderna, acabou rompendo com a
Igreja Católica e se transformando num estado protestante, que deu origem ao
reino da Prússia e à Alemanha moderna. Um remanescente que permaneceu fiel ao
catolicismo transformou-se numa organização semelhante à Ordem de Malta, mas
bem menos importante.
Outras ordens, como as ibéricas, perderam
gradualmente a autonomia e o caráter religioso. O rei acabou tomando o lugar do
grão-mestre e o título de oficial, cavaleiro ou comendador de uma ordem passou
a ter um caráter simplesmente decorativo e honorífico, uma distinção a ser
distribuída a pessoas que se julgassem dignas ou cujo apoio fosse importante
para o governo. Ainda hoje, estados republicanos continuam criando e
distribuindo títulos como esses. Além das ordens cujos nomes foram herdados de
autênticas ordens medievais, a França tem sua Legião de Honra; o Brasil, a
ordem do Cruzeiro do Sul; Portugal, a Ordem da Torre e da Espada etc.
No mundo dos Outros 500, porém, as ordens
militares continuam em pleno vigor no final do século XVIII. A luta entre o
Império Luso-Brasileiro e a Santa Aliança deu uma nova razão de ser às ordens
militares tradicionais, embora tenham perdido parte de sua autonomia política
para se subordinar também aos respectivos imperadores.
Do lado luso-brasileiro, as ordens
medievais que continuam desempenhando um papel importante em 1780 são a Ordem de
Cristo (também conhecida como Ordem dos Templários), a Ordem de Avis
e a Ordem
de Santiago da Espada.
Do lado da Santa Aliança – transformada,
em 1780, no Sacro Império Romano-Francês – sobrevivem a Ordem dos
Hospitalários e a Ordem Teutônica.
São organizações muito respeitadas e
poderosas, corpos de elite independentes dos exércitos regulares e com uma
noção mais flexível de disciplina, confiando mais na honra, coragem e
competência de seus cavaleiros do que nas linhas de comando e na obediência
cega. Essa relativa autonomia organizacional e pessoal as torna atraentes para
líderes inteligentes e corajosos – como personagens de jogadores de RPG.
Ao lado destas, surgiram outras
organizações que não descendem das ordens de cavalaria da Europa Medieval, mas
têm com elas certa analogia. São as ordens militares do Império Méxica (Ordem do Jaguar e Ordem da Águia) e Sino-Japonês (Ordem
do Duplo Dragão e Ordem do Sol Nascente), as novas ordens do Império
Luso-Brasileiro (Ordem do
Cruzeiro do Sul, Ordem das
Icamiabas e Ordem da Rosa),
a pacifista Ordem
do Anel e a Maçonaria.